segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Dirty...only if we want...
O sexo só é sexo se for sujo. A pornografia é a arte do amor; um Degas pintado com corpos nús, cheios de suor; as mãos entram e saem e apalpam e tocam; a voz fala e geme e grita e torna a gritar; os lábios roçam-se e roçam todos os cantos e recantos do corpo, num mar de cheiros e excreções; procuramos o prazer em ter prazer; à espera daquele momento. Do momento em que a fricção aumenta, rebenta, explode e a suave e doce letargia toma conta de todo o nosso corpo; de toda a nossa mente; e já gastos, cansados mas ainda com desejo, procuramos repousar para um segundo round.
Visto um roupão e pergunto-lhe se aceita um Hendrick's com tónica. Sim...acompanhas-me na bebida? Claro. Beber sozinha é uma má opção; pode sempre um homem desencaminhar-te. Sorriu. Caminho para a sala. Não sei o nome dela, nem de onde é. Não me interessa. Não pretendo saber. Por mim pode ser Mary, ou Elizabeth (se bem que foder uma mulher com nome de rainha tem um certo sabor nobre). Sei apenas que estávamos precisados disto. Quão precisado estava eu; acho que já nem me lembrava dos cheiros e dos sabores. Amanhã é outro dia e provavelmente - certamente, diria - nunca mais a vou ver. Iremos trocar contactos telefónicos, prometendo um ao outro um telefonema, um novo encontro. Mas ambos sabemos que não queremos. Nem o iremos fazer.
Deixa-me aproveitar a noite, porque hoje sou dela e ela é minha. Hoje não há amor; não há paixão. Hoje há um alegre, doce e estonteante fornicanço.
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