As avós sabem sempre tudo. Crescer sem avó é como ser lançado no meio de uma batalha sem armadura; sem qualquer arma para fazer frente às lanças que nos espetam. Eu cresci sem avó. A minha partiu quando eu tinha apenas doze anos. Uma idade terrível para se ficar só, sem poder contemplar o branco dos cabelos, sem poder sentir um abraço, um beijo de conforto. E sem ouvir uma reprimenda quando entornamos o leite na mesa, ao lanche; que à hora do comer não se brinca e agora com tanta coisa para fazer, tenho mais uma toalha para lavar, o raio do miúdo que não está sossegado.
Tenho tantas, mas tantas saudades. Há lá no mundo maior valor que o valor que têm as avós? Existirá outra coisa que substitua a ternura que um neto sente por uma avó e o amor que ela sente por nós? Ser avó é ser mãe; e logo duas vezes, daí o amor ser a dobrar. Deus pensou mal; as avós só podiam descansar eternamente, quando os netos fossem eles próprios avós e tivessem netos para dar muito amor. Nunca antes.

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