Sentado no terraço, admirando
aquele céu (normalmente cinzento, mas hoje, anormalmente azul) enquanto sorvia
o meu Earl Grey das cinco, lembrei-me
subitamente de Wittgenstein.
A
importância exagerada que ela dava a tudo o que fosse perfeitamente simétrico
(e que tantas discussões gerava), sem o mínimo detalhe fora do lugar, ali e não
mais ao lado; ficava tonto com tanta perfeição imaculada. Sorri; era mesmo
isso; estava apaixonado por uma “Wittgensteina”
(se se pudesse usar a mesma regra da formação do feminino nos nomes alemães).
Por
vezes, era exasperante; não deixes a pasta de dentes fora do copo; limpa a
merda da escova antes de a meteres na gaveta, foda-se...deixas tudo molhado;
olha a sapataria na sala...não te custa levar para o quarto. Irra!
Os melhores momentos eram os que estava em
casa sozinho; nesses dias, deixava tudo espalhado pelo chão, só para me sentir
satisfeito. Camisa, calças, cuecas e (pormenor importante) uma meia em cada
canto.
Sou
demasiado apegado a Londres para perder tempo em Paris (eu perdoo quem não
pensa assim, podem ficar descansados).

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