quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Wittgenstein



         Sentado no terraço, admirando aquele céu (normalmente cinzento, mas hoje, anormalmente azul) enquanto sorvia o meu Earl Grey das cinco, lembrei-me subitamente de Wittgenstein.
         A importância exagerada que ela dava a tudo o que fosse perfeitamente simétrico (e que tantas discussões gerava), sem o mínimo detalhe fora do lugar, ali e não mais ao lado; ficava tonto com tanta perfeição imaculada. Sorri; era mesmo isso; estava apaixonado por uma “Wittgensteina” (se se pudesse usar a mesma regra da formação do feminino nos nomes alemães).
            Por vezes, era exasperante; não deixes a pasta de dentes fora do copo; limpa a merda da escova antes de a meteres na gaveta, foda-se...deixas tudo molhado; olha a sapataria na sala...não te custa levar para o quarto. Irra!
           Os melhores momentos eram os que estava em casa sozinho; nesses dias, deixava tudo espalhado pelo chão, só para me sentir satisfeito. Camisa, calças, cuecas e (pormenor importante) uma meia em cada canto.
             Sou demasiado apegado a Londres para perder tempo em Paris (eu perdoo quem não pensa assim, podem ficar descansados). 


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