quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Amor...


“O melhor de tudo é o Amor...”, dizias tu enquanto estávamos “enroscados” um no outro, ainda suados. Eu contrapus, que o melhor era mesmo sentirmo-nos apenas um, apesar de viver em dois corpos separados; que só o Amor não basta, que também faz falta a cumplicidade e isso só com o passar dos anos se conquista. Sorriste, disseste que o Amor era tudo, porque sem Amor nunca existiria cumplicidade, nem união. Argumentei de novo...o Amor é um sentimento egoísta, que nos inunda a alma num momento, mas que quase sempre arrefece. Já a cumplicidade, essa só acontece quando duas almas não suportam mais a ideia de viver separadas e como quase por mútuo consentimento, decidem fundir-se
numa só. Fizeste uma piada sobre fundir e rimo-nos com vontade. Vês, disse eu, é isto que te digo. Cumplicidade. Pensámos exactamente na mesma coisa, sem tirar nem pôr. Acendeste um cigarro (sempre o fazes quando estamos entre quecas); mergulhaste de repente num preocupante silêncio. Olhaste para mim e vi subitamente uma lágrima. Disseste-me que tinha sido o fumo do cigarro, que tinha entrado para o olho e te fizera chorar. Pensei em perguntar, mas nem tive tempo. Beijaste-me para que não falasse. Não querias conversa...percebi pelo frio do abraço que algo tinha surgido no teu pensamento, e que não estarias disposta a partilhar. “A penny for your thoughts”, disse-te em tom de brincadeira mas sem vontade de
brincar. Disseste que precisavas de regressar a Paris, que a tua vida académica assim o exigia.Procurei acalmar-te; dizer-te que de Londres a Paris não era assim tanto tempo de voo...e que até quem sabe, seria uma boa oportunidade para eu atravessar o Canal da Mancha a nado. Sorrimos e enroscámo-nos para mais uma tórrida e animalesca sessão...

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