quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Rush Hour...

 
     Quarta-feira. O dia entaladinho, como lhe costumo chamar. Raios! Seis e quarenta e cinco - atrasado. Mais uma vez atrasado. Isto de fiar no relógio biológico é uma treta. Quarenta e cinco minutos tarde. Levanto-me num ápice. Salto da cama e caminho apressado para o WC - não tenho tempo para um banho nem para aparar a barba. Passo a cara por água fria; gélida - não posso perder tempo a esperar pela quente. 
         Corro para o quarto. Que roupa? Foda-se! Ontem esqueci-me por completo de ir à lavandaria buscar o que lá deixei. Improviso qualquer coisa. Uns jeans e uma camisola de gola alta. Vermelha - gosto de cor -, para cinzento basta o céu e as pessoas que viajam no Metropolitano de manhã recordando-nos o triste rosto de um bezerro quando entra no matadouro e sabe ao que vai. Olhares deprimidos, olhares longínquos - repletos de amargura -, temerosos. 
        Viajo até à cozinha - sete e dez -, não posso perder mais tempo. Agarro na gabardina e saio porta fora, deixando para trás o conforto de um lar. O meu lar.

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