Não, não podia continuar, pensou. Conduzia sem destino, estrada fora, sem parar. Carlos sabia, sabia que não devia continuar. Voltar atrás...não avançar...regressar. Pensou melhor; talvez não. Pisou o pedal com força, não fosse arrepender-se. Já não era ele, era outro diferente.
Carlos perdera. Perdera o amor, a vida, o ser.
Nada. Nada valia nada. Fim.
Que estúpido fora, que palerma, sabia agora. Carlos acordara, era um homem diferente.
Sentia-se renovado, apesar de tudo feliz.
Infelizmente feliz; tristemente alegre. Cheio de fel, mas contente, agora que descobrira.
Tudo fazia sentido. Tanta mentira feita verdade; tanta história...porquê?
Tudo terminara. Nada mais resta, que acalme a alma. Atirar para trás, simplesmente esquecer; deitar fora.

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